Pedalando na Estrada da Morte – Guia de Viagem

PEDALANDO NA ESTRADA DA MORTE

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Esta foi a foto que fiz que mais gostei desta descida. Sintam o clima de pedalar aqui.

Este artigo foi escrito na preparação da ida para Estrada da Morte na Bolívia, em janeiro e fevereiro de 2014. Neste momento, março de 2014, já retornei do passeio e ao invés de escrever um outro artigo vou atualizar as informações deste a cada tópico – inclusive de todas as imagens – fazendo a referência em negrito e itálico “(atualizado março 2014) aqui o texto atualizado”. Com isso, poderei manter atualizações mais vezes, sempre que algo novo for aparecendo.
De cara já posso dizer que foi sensacional e vale muito a pena fazer este passeio e conhecer La Paz e redondezas.

Muita gente já ouviu falar alguma vez na Estrada da Morte da Bolívia, apesar de encontrarmos pelo mundo muitas trilhas chamadas também de estrada da morte. Apesar de fazer parte dos mais de 85mil quilômetros de Trilhas Incas espalhadas pela América do Sul, ficou muito conhecida porque muito turistas estrangeiros, principalmente americanos e europeus, vem pedalar nela. Geralmente eles fazem um passeio pela América do Sul para visitar Machu Picchu e acabam aproveitando e estendendo para o sul do Peru, Lago Titicaca e chegam até La Paz. Atualmente alguns vão um pouco adiante ainda – até Cochabamba e o Salar Uyuni – e esta estrada tem gente de todos os locais do mundo descendo praticamente todos os dias do ano.

Ano passado (2013) eu tinha programado este passeio. Cheguei a montar um grupo no Facebook – Estrada da Morte – ainda ativo, a fim de ir coletando informações sobre este passeio: melhor maneira de ir, empresas que fazem, acomodações, etc. Depois de tudo organizado e fechado recebi uma ligação da empresa aérea LAN me avisando que meu voo de Santiago para La Paz tinha sido cancelado sem perspectiva de novo voo. Então tudo foi cancelado e arquivado, mas estou com tudo acertado para ir agora no Carnaval com meu amigo de viagens aventureiras, Marco Polo Siebra, quase três anos após Cuzco e Trilha Inca. Por isso, este post será atualizado quando voltarmos. De qualquer forma, aqui vai o que já preparei até agora.

Resolvi organizar aqui as informações que consegui neste período, com muitas dicas de fóruns e de amigos, como o Marcelo CB, aqui de Campo Grande MS (que já foi duas vezes) e de Andrea Zagatto, sócia da empresa de eventos de esportes e aventuras EDA – Espírito Aventura Brasil, que mora em Corumbá e está dando uma força grande também e conseguindo muitas informações e nos ajudando na compra das passagens e de como chegarmos a Puerto Suárez sem problemas.

(atualizado março 2014) Precisamos também relatar aqui também nossos agradecimentos a ajuda e cordialidade do Marcelo Miranda e sua família, dentista em Corumbá e amigo de Marco Polo – e agora de todos nós – por todo apoio e acolhimento em nossa passagem por esta cidade. Andrea, você foi demais, sem sua inestimável ajuda, além de ter nos aturado e “transportado” através de fronteiras nunca antes exploradas por nós (rs) – tipo Corumbá/Bolívia – teria sido tudo muito, muito mais difícil.

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O que na verdade é a Estrada da Morte? Tem riscos? É muito difícil o passeio?

Ela é chamada de Estrada da Morte (Ruta de la Muerte ou The World Most Dangerous Road) porque é uma estrada muito estreita onde passavam muitos veículos, especialmente caminhões e ônibus, e muitos acidentes fatais aconteceram. Fazendo parte da antiga malha de trilhas incas, assim como a Clássica Trilha Inca de Machu Picchu, esta estrada liga La Paz à pequena cidade de Coroico, no vale dos Yungas. Você parte de La Cumbre (30Km de La Paz – 4700m acima do nível do mar – anm), inicialmente por uma pista moderna de asfalto numa região árida no alto da montanha e desce 70Km passando pelo meio de floresta em estradas de terra e cascalho até Yolosa (1200m anm).

Hoje em dia, na parte mais perigosa de terra, não circula mais carros pesados, por isso, para os ciclistas, não é mais estrada da morte. Ela praticamente só desce (alguns trechos pequenos de subida no meio dessa descida) e o mais cansativo é o tempo em cima da bike, mas são feitas algumas paradas no caminho. Neste link, é possível ver o perfil vertical e horizontal de um ciclista holandês que fez a descida em outubro com o Strava.

Os riscos maiores são geralmente na parte mais tranquila que é o asfalto. Precisa ter atenção, como em qualquer pedalada, porque circulam carros também por essa via, até o túnel, onde o passeio de bicicleta passa para a parte de terra. Então, neste trecho é preciso atenção com os carros e para não cair da própria bicicleta. Normalmente, num ritmo normal de pedal, é tranquilo e acidentes com ciclistas são muito raros. Pelo menos se ocorrem com mais frequência não são divulgados os mais graves.

(atualizado março 2014) Bom, com relação a primeira parte, os 30Km de asfalto, o que posso dizer é que é um trecho feito a maior parte para baixo, num asfalto bom, com muitas curvas e um visual espetacular. A pista é bem sinalizada com placas mostrando que o trânsito de bicicletas é permitido e com trânsito simultâneo de carros em ambos os sentidos. Os carros que por ali circulam é na maioria de moradores da região e todos sabem que há ciclistas em turismo por lá. Como uma via de tráfego, precisa tomar os cuidados habituais de se dirigir em estradas. Aqui o pedal não é no acostamento, é na estrada mesmo, por isso não se esqueça de focar na estrada e não ficar perdido no visual deslumbrante das montanhas. Da pra curtir o visual e pedalar. Fomos no carnaval, que têm um movimento grande no pais de um lado para o outro, mas mesmo assim o fluxo de carros no horário da descida é muito baixo.
Como as bikes podem chegar a 60Km/h, ou até um pouco mais, você pode se deparar com carros mais lentos do que você. Então se posicione como veículo, ultrapassando pela esquerda,. etc. A visibilidade de toda a estrada é ótima e dificilmente terá nesta primeira descida neblina. Uma surpresa: os últimos 8Km desta “descida” tem 4 subidas (veja o perfil vertical de minha descida no Strava) e o guia já avisa na última parada antes sobre este trecho e informando para quem quiser que pode subir no ônibus – que na Gravity acompanha o trecho todo –  para voltar a pedalar depois deste trecho. Vários já subiram, mas eu resolvi ir até onde dava. E consegui. A dificuldade na primeira subida foi muito grande, a bike é Full Suspension para Downhill, com aquela mola vertical central – além da suspensão  na frente – o que absorve muito da força das pedaladas, rendendo pouco nas subidas – mas aumentei a altura do banco e fui mudando as marchas devagar até acertar meu ritmo. Aqui ainda estamos em torno de 3500m anm e falta muito ar. As subidas são leves, mas sem ar a dificuldade só vai saber quem for. Mas é isso, esta primeira parte é muito boa. Aliás, no trecho de subida estava uma serração só. Muito bom pedalar assim também.
Já na segundas metade, na estrada de terra (entenda por pedras), foi um pouco diferente do que eu imaginava. O guia, Andy “Bieber”, parava várias vezes e sempre ia explicando detalhes do que viria, sempre apenas em inlgês. Por isso, se tem dificuldade com o idioma, vá com alguém que possa traduzir o que ele vai orientando. Se seguir todas as orientações, tudo vai bem. A pista é toda de cascalho com alguns trechos caindo água das bicas acima da estrada, deixando esta um pouco úmida. As bikes de alumínio Kona com suspensão FULL são ótimas para este terreno e você só tem que tomar cuidado com os trechos mais estreitos e úmidos. Tivemos dois degraus de uns 30cm de altura onde voamos mesmo, mas fomos avisados que eles apareceriam nas bandeirinhas vermelhas. Nada de muito risco. Nos trechos mais estreitos, mesmo com todo cascalho úmido, da pra passar sem correr risco de despencar, desde que foque na pista. Não é estrada de terra, como aqui no MS, é de cascalho, como essas estradas de terra onde se joga pedras por cima, mas pedras grandinhas. Isso, ao meu ver, deixou este trecho muito mais empolgante, curti muito esta parte, além de um visual completamente diferente da primeira metade. No final, temos mais 3Km de subida bem leve, que nem parecem subidas. Deste trecho até Coroico são apenas 12Km e você praticamente já está no final. Lembre das placas: fique sempre á esquerda. Eu  quase entrei numa caminhonete que vinha subindo e me posicionei à direita e a caminhonete, corretamente, ficou à direita. Mas consegui desviar e não despencar.
Resumindo: é importante (obviamente) saber pedalar e é bom já ter feito alguma (ou algumas) trilha leve, essas para iniciantes de 20-30Km que o Sopa de Pedra faz aqui na região, para estar habituado a pedalar e poder aproveitar melhor. Muitos vão sem ter feito trilha nenhuma, mas particularmente acho que você acaba aproveitando pouco assim. Mas, cada um faz como quer. Só acho que é importante fazer com uma empresa que tenha suporte, que possa te dar segurança e apoio logístico. Por isso, através de recomendações de vários fóruns pelo mundo todo, escolhi a Gravity Bolivia.

 

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Qual a melhor época do ano para ir?

Com relação a época do ano, parece que segue o mesmo padrão de Machu Picchu: inverno frio, mas seco, e verão mais quente, só que com mais chuvas. Na região mais alta (e mais árida), parece que chove pouco. Tem momentos de intensa nebulosidade, mas não chove tanto. Já na região de floresta, com uma umidade bem mais elevada, parece que pode ter mais chuva. Todos os dias do ano praticamente o pessoal da Gravity posta fotos das descidas e já vi fotos com os mais variados climas. Parece que precisa de um tempo muito ruim mesmo para não descer. Por isso, acho que o ideal deve ser se programar pra ficar um ou dois dias a mais para poder agendar um outro, caso o clima fique muito ruim. Mas, como disse, parece que isso não é frequente.

(atualizado março 2014) Aqui nada muito de novo, apenas que o clima é realmente instável nesta época do ano. Pegamos sol no início, serração no meio, garoa no meio e sol no final. Andy me disse que já desceu com grupos com muita chuva e que isso não atrapalhou. No dia de sairmos para trilha estava 2 graus no hotel, mas a sensação não é de tão frio. Me lembro de quando morei em São Paulo, tanto na capital quanto no interior, que temperaturas de 5 graus eram de doer o corpo inteiro. Mas ali, não sei a explicação disso, foi muito tranquilo. De qualquer forma, parece que de novembro à fevereiro são as épocas com maior risco de chuva.

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Como chegar em La Paz?

(atualizado março 2014) Aqui temos muitas novidades. Quem souber de mais possibilidades, por favor publique nos comentários.

Essa é a parte mais trabalhosa, por incrível que pareça, dependendo de onde você vai partir. Com tantas facilidades de consultas e compras de passagens online, aqui boa parte do sistema é manual. Voo direto para La Paz é feito apenas por uma única companhia. As demais. LAN e Avianca, normalmente fazem escalas em seus aeroportos sedes: Santiago, no Chile; Lima, no Peru e Bogotá, na Colômbia, além de Assunção no Paraguai. Além disso, pode ser feito com voo para Santa Cruz de La Sierra (direto – GOL, com escalas ou conexão – TAM) e dali outro voo para La Paz, por empresas bolivianas. Aqui do Mato Grosso do Sul, com Corumbá na fronteira com a Bolívia, temos outras opções de voos e até de trem ou carro. Vamos por partes.

1. Voo direto de GUARULHOS-SP: Boliviana de Aviacion (BoA).

A Boliviana de Aviación é uma companhia aérea estatal boliviana que iniciou seus serviços em 2007 no lugar da Lloyd Aéreo Boliviano e tem em sua frota 7 Boeing 737 e 2 Embraer EMB 190. Tem voos diretos de Guarulhos para La Paz todos os dias. Pelo site é possível checar os horários e fazer a reserva. Normalmente este voo sai por US$ 476,00. São 4:30 horas de voo cada trecho (ida e volta), sendo que na ida tem uma escala rápida em Cochabamba. Pelo site, em simulação, cheguei somente até o momento da reserva. Não sei quais são as formas de pagamento aceitas por eles. O que vi em diversos relatos em fóruns pela internet é que esta empresa costuma atrasar bastante seus voos. Portanto, programe-se com sobra de tempo tanto na ida quanto na volta. Ela faz seu pouso final em La Paz no Aeroporto de El Alto.

(atualizado março 2014) Conheci um colega, agora amigo de viagem Fábio Andreosi, que comprou estas passagens pelo site, pagou com cartão e não teve problema de atraso algum. Além dele, outra casal que conhecemos na descida, estrangeiros que moram em São Paulo – Vivienne e Thomas – também vieram de BoA e nada tiverem a reclamar. Portanto, para quem tem acesso mais fácil por Guarulhos, de onde saem estes voos, parece ser a melhor opção.

2. Voos com conexão em outros países: LAN, TAM, GOL e Avianca.

O preço de um voo para La Paz, em qualquer uma dessa companhias, pode ficar mais caro do que ir para Europa. Tendo como base Guarulhos, que é a grande saída de voos do Brasil, podemos ter quatro opções para La Paz: Via Santiago no Chile (LAN e TAM), Via Lima, no Peru (LAN e TAM), Via Bogotá, na Colômbia (AVIANCA) e via Assunção, no Paraguai (TAM e LAN). Nem sempre os voos entre essas capitais é diário. No meu caso, em outubro, peguei por milhas o trecho Campo Grande – Santiago por 30.000 milhas ida e volta. De Santiago para La Paz, a passagem custou em torno de 400 reais ida e volta, classe econômica, mas só tinha voos segunda, quarta, sexta e sábado. Olhando hoje (fevereiro de 2014) no site da LAN, vejo que tem voos todos os dias menos terças-feiras e o preço varia de US$ 214, a US 714,00, dependendo da combinação de dias, fora taxas de embarque. Entra as opções acima, a que me mostrou mais econômica, mesmo que pagando ao invés de utilizar os pontos, foi por Santiago e a mais cara  por Lima, no Peru. No meu caso, tinha me programado para ficar 4 dias a mais em Santiago e dali ir para La Paz, mas como disse no início, a LAN cancelou o voo sem me dar o motivo e me estornou o valor integral, além dos pontos da TAM sem a taxa de embarque.

3. Voos partindo de Corumbá-MS (Puerto Suárez). (Esta foi nossa opção para esta aventura no Carnaval 2014)

Chegando em Corumbá e passando a fronteira para Puerto Suárez, na Bolívia, temos o Aeroporto de Puerto Suárez, que opera voos para La Paz (além de outras cidades) com escala em Santa Cruz. A empresa principal que faz essa rota é a TAM (não a brasileira) – Transporte Aéreo Militar da Bolívia. Para chegar em Corumbá de avião é pela AZUL que tem voos em alguns dias da semana, mas o horário de chegada e de partida não batem com o da operadora boliviana, tendo de ficar em Corumbá um dia a mais na ida e outro na volta. Bom pra aproveitar a cidade. Quem vem de carro, como será nosso caso (424kM de Campo Grande) pode deixá-lo no aeroporto ou em um estacionamento. Como o site original deles está fora do ar já faz um tempo (www.tam.bo), deixei o link da fan page do Facebook. Hoje em dia são dois voos semanais. A Aeronave, um Boenig 737-300, parte às terças (atualizado: parte ás quintas-feiras. A informação anterior, fornecida pela página da TAM estava errada. Quando fizemos a reserva pelo telefone, ficamos sabendo disso.) e sábados de La Paz ás 7:00h local (8:00h de Brasília) da manhã com destino a Puerto Soarez com escala em Santa Cruz de La Sierra. Retorna no mesmo dia para La Paz, com a mesma escala, partindo de Puerto Suarez às 16:00h local (17:00h de Brasília). O preço hoje é de 825 Bolivianos (aproximadamente no câmbio de hoje r$ 290,00) cada trecho, tendo um pequeno desconto comprando ida e volta. O telefone do Call Center é (00+21+591+ <falta o código de área que ainda não descobri>) 268.1111. É bom chegar umas 3 a 4 horas antes do voo porque precisa passar na Polícia Federal com a identidade ou passaporte e na Aduana Boliviana pra obter o visto, que vale de 30 a 90 dias.

4. Voos partindo de Santa Cruz de La Sierra à La Paz (opção ideal para quem parte de Campo Grande MS).

De Santa Cruz temos voos diretos para La Paz de apenas 1 hora com muitos horários disponíveis. O lance é chegar até la. Uma opção seria pegar um voo (GOL) para Santa C ruz de La Sierra, na Bolívia e dali outro voo para La Paz. Hoje de Guarulhos para Santa Cruz, ida e volta, vai custar em torno de R$ 1000,00 e de Santa Cruz para La Paz temos três empresas: TAM (Transporte Aéreo Militar da Bolívia), BoA e a Amaszonas (é assim mesmo que se escreve 🙂 ). O preço médico encontrado na internet foi de R$ 700,00, mas acho que é possível encontrar por menos. Uma nova opção para maio já anunciada na internet (Matéria aqui >>>), serão os voos da boliviana Amaszonas direto de Brasília, Cuiabá e Campo Grande. Ela vai operar com Bombardier CRJ700 rotas ainda com periodicidade não definaida. Esta empresa já opera voos de La Paz para Cuzco, com muita gente vinda do exterior, especialmente Europa e EUA, fazendo  Cuzco (Machu Picchu), La Paz e Salar Uyuni. Os preços deste trecho para o Peru não é muito barato, mas mas em conta do que outras opções.

(atualizado março 2014) Esta é uma opção muito interessante, já que temos várias formas de se chegar até Santa Cruz. Esta cidade tem dois aeroportos, Viru Viru, internacional e mais afastado, e El Trampillo, quase central e bem antigo, bem desconfortável, bem mais algumas coisas, mas funciona. Em El Trampillo descobri que existe uma quarta empresa aérea que faz várias rotas na Bolívia, a Aerocon. As aeronaves são Bandeirantes, aviões turboélices menores, mas parecem seguros. Não são tão confortáveis nem tão rápidos, mas uma passagem de El Trompillo para La Paz estava custando 600 Bolivianos, algo em torno de 200 reais, cada trecho. Eles trabalham com dois horários, um pela manhã e outro à tarde. As compras podem ser feitas pela Internet também.
No nosso caso na ida, o voo incluía uma conexão com troca de aeroportos. A empresa se encarregou de nos levar de um para o outro, assim como a bagagem.   

(atualizado junho 2014) Já está em operação a Amaszonas com voos de Campo Grande à La Paz com conexão em Santa Cruz. São três voos por semana – segundas, quartas e sextas – todos com saída e chegada à tarde. O preço da pesquisa que fiz hoje com um voo saindo de Campo Grande numa sexta e retornando na segunda, saiu com taxas por US$ 503,00. Preço um pouco alto, mas saiu por menos do que gastamos indo até Corumbá de carro e depois com os voos da TAM na Bolívia, mas bem mais do que indo de carro e trem. É uma nova opção, rápida e confortável, apesar do preço, e pretendo retornar esse ano ainda e com certeza essa será minha opção.

5. Trem, ônibus ou carro partindo de Corumbá (Puerto Quijarro).

Outras opções são ir pela estrada de quase 642Km até Santa Cruz de La Sierra e dali mais 989Km até La Paz, passando por Cochabamba e próximo à Oruro (itinerário), ou de trem, que vai de Puerto Quijaro, do outro lado de Corumbá, até até Santa Cruz de La Sierra, o famoso e antigo (não mais existe) Trem da Morte. Como falei anteriormente, voos dali saem em vários horários até La Paz.

(atualizado maio 2014) Trem: existe uma opção de um trem de luxo de sai final da tarde “quase” direto para Santa Cruz, com apenas um vagão de passageiro bem confortável e um vagão restaurante. O preço da passagem é em torno de US$ 70,00 já com jantar incluído. Outros trens mais simples e com tempo maior de viagem também estão presentes. Aqui você encontra uma tabela com horários e preços do Expresso Oriental.

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O que é preciso levar para o passeio?

Já vi alguns grupos que levaram suas bikes e equipamentos. Na verdade, estes grupos estavam fazendo vários tours de bike e aproveitaram pra fazer a descida também e fizeram por conta. No nosso caso, como na maioria das pessoas que vão (e tem muito gringo que faz esse passeio), vamos utilizar uma agência. Existem várias, mas após uma grande pesquisa cheguei a conclusão que a melhor preparada é a Gravity Assisted Mountain Bike (Facebook) ou simplesmente, Gravity Bolivia (site principal). Esta agência fornece tudo o que você vai precisar: Bike (Mountain Bikes Kona, muito boas), capacete, roupas, luvas, etc., além de suporte o trajeto todo e transporte de volta para La Paz. Inclusive, todas essas imagens utilizadas aqui são das postagens deles no Facebook. Como a quase totalidade de pessoas que fazem essa trilha é de estrangeiros e americanos, as agências tem todo o suporte em espanhol e inglês e quase nada em português, apenas algumas anotações. O passeio é chamada por eles THE WORLD’S MOST DANGEROUS ROAD. Segundo anúncioo da própria agência, eles garantem descidas todos os dias. É necessário preencher a fixa de inscrição no site com dados pessoais, altura, tamanho de roupa, tipo de alimentação e posição do freio da frente (quase o último item. Aqui no Brasil, como em quase todo o mundo, é o esquerdo. Na Inglaterra, Japão e Nova Zelândia é na direita) e confirmar. Isso ainda não garante a inscrição. Você receberá depois um e-mail com os dados para fazer o pagamento e a confirmação. O valor atual do passeio, com tudo incluído é de 750,00 Bolivianos (R$ 270,00), isso que essa é uma das mais caras. Eu achei o preço bem tranquilo pra esse tipo de passeio e a estrutura.

Outra agência bem conceituada é a B-sides, que também tem várias outras opções de passeios de bike em diferentes níveis de dificuldade. Com eles também todo o agendamento pode ser feito online. Para mais fotos de suas aventuras, acesse sua página no facebook.

Na Gravity, recomendações que enviaram com o e-mail: A agência recomenda que você chegue um dia antes e passe no escritório para fazer o pagamento em dinheiro (Dólar ou Bolivianos) ou cartão de crédito. Eles abrem de segunda a sexta das 9h ás 19h, aos sábados das 10h as 15h e Domingo estão fechados e pedem para levar o passaporte ou cópia deste. Se você não puder estar no escritório deles na véspera, como será meu caso, o pagamento deverá ser online pelo site com cartão de crédito ou PayPal. Eles mandam os links para pagamento seguro e parece bem seguro. O email vem em inglês com todas as informações necessários, tudo bem explicado.

Como já perceberam, a moeda local é o Boliviano. Eles aceitam a moeda local e também Dólar Americano. Até janeiro desse ano tínhamos a facilidade no mundo todo de sacar dinheiro em cash nos caixas automáticos em débito pagando menos de 1% de IOF, apenas as compras no cartão como crédito pagavam os 6%. Mas nosso governo, que quase nada arrecada de impostos, resolveu igualar as duas modalidades nos 6%. Como vou gastar pouco e ficar poucos dias, vou sacar Bolivianos lá, pouca coisa, e hotel e refeições vou pagar com cartão de crédito. Opção minha. Aqui tem um link de conversor de valores do Boliviano para o Real.

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Onde ficar em La Paz?

Em La Paz temos as opções de hotéis e hostels. Não sei quanto a albergues, mas tem acomodações de todos os tipos. Eu, já na minha idade, prefiro algo um pouco mais confortável. Já viajei ficando em todo tipo de lugar e hoje prefiro ficar em algum lugar com um pouco mais de conforto onde dê pra descansar no fim do dia, tomar um banho sem problemas e uma internet sem fio de graça. Viajo há quase 8 anos pelo Brasil, EUA e Europa (e até alguns da Ásia) fazendo reservas com a Booking.com. Nunca tive problema. Conheci este serviço em 2006, quando fui literalmente largado por uma agência daqui faltando um mês para minha primeira grande viagem internacional e não tive problema nenhum nunca. Além de conseguir preços em hotéis bons e locais bem acessíveis. La Paz não é diferente. A diferença aqui é que os hotéis são muito mais baratos que qualquer outra parte do mundo que já tenha ido. Esse link leva a uma pesquisa de hotéis por lá, basta apenas colocar o período que deseja. Para ter uma ideia, o hotel mais caro que achei no Booking para o período do Carnaval que vou ficar lá, 5 estrelas, bem cotado no site, com três diárias num quarto para duas pessoas com duas camas de solteiro e café-da-manhã incluído, wi-fi no hotel todo, Spa, etc., R$ 1002,62 o total. Em dois, daria menos de R$ 200,00 a diária. Fiz reserva no Pan American Hotel, próximo do centro e perto do escritório da Gravity. Não tem muito o que procurar em La Paz, é tudo meio perto do centro. Neste hotel, 3 estrelas, com a possibilidade de cancelamento antecipado isento de taxas (que geralmente eleva a diária), com café-da-manhã, wi-fi (pela descrição não parece muito boa) e poucos etc, sairá no valor total de R$ 286,00 para duas pessoas em três diárias, isto é, R$ 48,00 por pessoa por dia com café-da-manhã. Então vale a pena ficar um pouco melhor. Já ouvi de gente que ficou pr R$ 20,00 a diária em casas e albergues, mas não tenho esses endereços. Talvez pesquisando melhor na internet seja possível encontrar (http://www.mochileiros.com).

A vantagem de ficar na região central é que a maioria dos pontos turísticos da cidade e os restaurantes e bares ficam por ai. Os hotéis sempre têm panfletos com propagandas de City Tour e passeios por outros pontos turísticos mais afastados. Quem vai ficar mais dias têm opções muito interessantes de passeios: Vale da Lua, Chacaltaya, Lago Titicaca, Copacabana, etc. e até outras descidas de bike por outras trilhas. Basta dar uma olhada no Google e pesquisar. Pretendo no dia seguinte ir ao Monte Chacaltaya para visitar a fechada e mais alta do mundo estação de esqui. Tem também uma descida de bike de Chacaltaya, mas essa vai ficar para a próxima. O que eu fizer lá, conto na volta.

(atualizado maio 2014) Hotel Rosairo: ficamos no Hotel Rosario de La Paz onde fizemos reserva pelo Booking.com. Esta região do hotel é perto de diversas atrações e locais históricos e é bem ingrime. Qualquer voltinha de três quadras você sobe ou desce muito. Chegamos aqui no Carnaval Boliviano, que é bem diferente do nosso, e a zona na área estava grande, mas nada preocupante. Só fomos ver mesmo a fachada do hotel e a rua depois do fim do Carnaval. O hotel é espetacular, tudo novo, bem decorado, bem organizado com excelente atendimento. Tem uma agência no próprio hotel onde fechamos todos os passeios, menos a descida que já tínhamos fechado com a Gravity, mas fechamos passeios um pouco mais caros e fomos só nós e o guia. A vantagem e fazer o seu passeio e parar e ir praticamente onde você quiser. O restaurante do hotel é fabuloso, com ótimo café-da-manhã (incluído) e jantar. O almoço é fraco, mas geralmente estamos fora nessa hora e comemos na rua. Pra ter uma ideia de preço, foram 6 diárias com café-da-manhã, jantamos á parte todas as noites no hotel e uma vez almoço, além de pequenas despesas como água. Tudo ficou para cada R$ 720,00. Muito barato. Quem viaja sabe que 720 reais fora do Brasil não da pra duas diárias em um monte de países, especialmente na Europa. Se preferir hotéis mais modestos ou hostels, é só fazer a conta. Sempre mais barato. Também é possível ficar na região mais nobre, mais plana e mais quente de La Paz, em hotéis mais caros (Suite Camino real), onde há uma infraestrutura bem mais interessante, mas vai ter de pegar condução para passear na região central e quando for sair e chegar da Estrada da Morte. Outros passeios podem ser combinados diretamente para o endereço do Hotel.

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Cuidados com a altitude e Seguro Médico

La Paz fica a 3660m de altitude. Não é a capital do País (que é Sucre), mas aqui que fica a sede do governo. Para quem já esteve na altitude sabe o que é isso. Além do que, o passeio começa em torno de 4700m de altitude, mais ainda do que a cidade. Existem várias formas de lidar com a altitude para não sofrer com ela. A mais clássica é a das folhas de coca e do chá de coca. Em Machu Picchu e Cuzco pra mim não fizeram efeito. Acho que não, pois tomei chá o tempo todo e não tive nada. Não sei se teria se não tomasse. Mascar folha de coca achei meio Neandertal com gosto de esterco e não curti muito, mas dores de cabeça não tive nenhuma. No segundo dia da trilha, no “passo da mulher morta”, a 4200m, senti que estava difícil subir, faltou ar, mesmo com o preparo na época quando corria provas de 10Km. Além do que, voltei para o Brasil inchado parecendo filhote de cão fila, todo com dobras pelo corpo todo. Como sou médico, resolvi ir atrás de medidas cientificamente comprovadas para ver o que dava pra evitar

Achei o Institute for Altitude Medicine (IAM), em Telluride (Colorado), EUA. Um centro feito exclusivamente para estudar os efeitos da altitude no corpo humano e o que fazer para evitá-los ou minimizá-los. Se você vai de trem ou de carro para La Paz, em mais de um dia, talvez não tenha problema porque a adaptação será mais lenta. Mas com eu vou de avião, a subida será muito rápida. Por isso, vou usar o esquema primeiro sugerido pelo IAM. Atenção, consultei meu cardiologista primeiro para saber se poderia usar esse medicamento sem restrições. CONSULTE O SEU MÉDICO ANTES DE TOMAR ESSE OU QUALQUER OUTRO MEDICAMENTO. O esquema de escolha do IAM é a droga Acetozolamida, um diurético vendido no Brasil com o nome de Diamox, muito usado por pacientes com Glaucoma, tomado da seguinte maneira: 125 mg VIA ORAL 2x ao dia (3-5 mg/kg/dia dividido 2x ao dia VIA ORAL). Iniciar um dia antes de subir para La Paz e manter por pelo menos dois dias ao atingir a máxima altitude desejada. No Brasil o Diamox é de 250mg, mas vem sulcado. Para quem tem restrições ao uso diurético, a segunda opção sugerida pelo IAM é o Decadron (dexametasona) comprimido, tomado da seguinte maneira: 4 a 8 mg VIA ORAL duas vezes ao dia, iniciando também um dia antes e também mantendo por até 2 dias ao atingir a altitude máxima.

A prevenção sempre é a melhor porque muitas vezes para aliviar os sintomas, especialmente as dores de cabeça, muita gente precisa ir a serviços médicos e pagar para poder ser medicado na Urgência. Por isso, falando em atendimento médico, os cartões de crédito somente oferecem atendimento médico quando as passagens são compradas com ele e algumas pessoas passam apuros ainda. Eu sempre que viajo para fora do Brasil faço segura na Mondial. Um seguro para os 4 dias de viagem, com cobertura de US$ 10.000,00, sai por R$ 70,00 reais, podendo ser divido em 6 vezes ainda. O seguro TOP, com cobertura de US$ 50.000,00, sai para este período por R$ 141,00, também podendo ser dividido em 6 vezes, tudo feito diretamente pelo site e de forma imediata. Como médico, sugiro que faça o seguro TOP, porque se  SUS no Brasil já é esse caos, imagina na Bolívia. E se de repente precisar de um CTI ou uma cirurgia mais especializada, 10 mil dólares cobre muito pouco, mesmo na Bolívia.

Um última recomendação: atualize sua careira de vacinação, especialmente Tétano e Febre Amarela. Se não tiver atualizada, vá a um posto de saúde e faça gratuitamente as duas. A de tétano dói, fica dolorido um dia, mas tome um analgésico ou anti-inflamatório depois que passa. Tétano é importante, não precisa nem explicar porque, e essa região de floresta na América do Sul é endêmica para Febre Amarela. Em alguns países na América do Sul inclusive você não entra sem estas vacinas em dia, como o Peru, por exemplo. Após feito isso, no Aeroporto mesmo, antes de embarcar, vá até o guichê da ANVISA e peça para fazer gratuitamente o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia. É rápido, de graça e vale por 10 anos, além de te evitar algumas dores de cabeça. Mantenha com o passaporte.

(atualizado maio 2014) Altitude: Utilizei o esquema da acetozolamida e não tive absolutamente nada. A úncia coisa é que, como diurético, você vai ter de urinar mais vezes durante o dia. Levei por precaução 6 Soroche Pills, para tratamento do mal da altitude, especialmente da forte cefaleia que muitos sentem, mas ficou na mochila sem uso.

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Como será o passeio?

A expectativa é grande, mas vou poder contar muito mais na volta. O que a Gravity descreve tecnicamente é o seguinte:

Tempo total do passeio: 4 a 5 horas. Início em La Paz as 7:30 partindo em direção a La Cumbre por uma hora, onde se inicia a descida. Há pouco tempo criaram uma taxa para ciclistas de entrada em Coroico de 25 bolivianos. Eles recomendam não esquecer de levar esse valor. Dizem que a função desta simbólica taxa é ajudar na infraestrutura do local que recebe muitos turistas e pouca ajuda financeira.

A descida tem como destino a cidade de Coroico. Chegando lá, tem um lugar para descanso no La Senda Verde Cabins Ecotourism Resort e no Refúgio de Animais onde poderemos tomar banho, comer, nadar e passar um tempo com alguns dos animais ali cuidados por eles. A volta leva de 3 a 4 horas até La Paz, chegando na cidade por volta das 20h. Existem a possibilidade de pernoitar em Coroico e voltar no dia seguinte. Maiores informações estão na página e no e-mail enviado por eles da confirmação.

O percurso é 90% em descidas (downhill) mas tem uma seção com algumas pequenas subidas.

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Como foi o passeio?

Bom, isso só poderei contar na volta. No momento são essas as informações que tenho a respeito desse passeio. Qualquer novidade vou postando aqui. Qualquer dúvida ou esclarecimento que esteja ao meu alcance pode postar nos comentários.

Abraços e até a volta.

(atualizado maio 2014) Volta: bom, foi muito boa a viagem, muito boa mesmo. Além da Estrada da Morte tem várias outras opções de trilhas, até mais interessantes e algumas mais difíceis, além de todo turismo que fizemos: Chacaltaya, Lago Titicaca, Vale da Lua, etc. Voltarei este ano de 2014 se tudo der certo, agora pra fazer a descida do Chacaltaya. Quem tiver dúvidas sobre a viagem ou curiosidades, pode entrar em contato comigo pelos comentários ou pela Fanpage do Bicikleta no Facebbok.

Abraços e até a próxima.

2 thoughts on “Pedalando na Estrada da Morte – Guia de Viagem

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